segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Diagnóstico

- Doutor! Doutor! O senhor precisa me ajudar!

- O que foi, minha filha?

- Não sei. Não sinto meu coração.

- Como não sente seu coração? Venha aqui. Respire. Diga trinta e três.

- Trinta e três.

- Novamente.

- Trinta e três.

- Repita.

- Trinta e três.

- Não, querida. Você está enganada! Você tem um coração sim. Ele só está quebrado.

- Ah... sério, doutor?! Mas eu... mas eu não sinto nada!

- "Não sentir nada" aí dentro faz parte do processo. Por acaso você está tendo ódio, raiva, arrependimento?

- Sim...

- Choro?

- Todo o tempo...

- Ah, um caso clássico de coração partido.

- Mesmo? O que eu faço? Tem algum remédio?

- O tempo.

-...

- Ah! E fique longe dele. Ver ele não vai te ajudar nada. Tenta fingir que ele nunca existiu, vai por mim. Vai ser difícil, vai doer, mas uma hora você vai conseguir tratar ele como trata todo mundo.

- Mas eu vou ficar bem?

- A gente sempre fica.

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