quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Como se doar, e não receber nada em troca.

Te encontrei de um jeito meio amargo, te detestando e ao mesmo tempo querendo ser tua amiga, não me importei com os teus defeitos nem com teus momentos revoltos, alias, me revoltei contigo, chorei contigo e ri contigo. Eu estive junto nos teus momentos mais lúcidos e nos mais embriagados também, te dei palavras duras e doces também, te levantei quando caiu. Eu te moldei de acordo com o que tinha que ser, deixei a tua essência mais mudei o teu jeito, o teu sorriso desleixado e o modo como franze a testa quando está bravo, eu deixei por que esses detalhes... eu amava e talvez ainda ache lindo, não importa se ele já não é dirigido a mim.
Eu sempre fui tão egoísta, ainda me pergunto como me dei tanto pra você, como consegui te doar meus sorrisos e minhas palavras tão sagradas pra mim. Mais eu te deixei preparado, te deixei pronto pro mundo, pronto pras pessoas, pronto pra viver o que tem que viver, eu te dei pra todas as outras, te deixei o garoto que elas mereciam, e o que talvez eu mesma merecesse, mais agora já tanto faz. Eu só espero que você perceba que tudo isso eu fiz por simples afeto, por gostar de te ver sorrir, admito que me doi saber que te dei pra alguém sem nem saber quem é. Te moldei e te dei, terminei meu trabalho, sinto que já posso ir. Mas você não me larga, não me solta, não me deixa. Eu preciso ir, só pra não te ver com ela, só pra me sentir vazia e achar um outro alguém pra moldar e entregar até que eu ache um que eu posso construir e ficar... ai talvez eu seja feliz e a gente volte a se ver.

Cartas para Meredith. (Série: The Heartbreak.)

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