terça-feira, 22 de março de 2011

De um garoto não tão disposto.

Ele sempre viu a vida passar pela janela, a espreita de algo errado pra que ele pudesse usar como argumento pra não viver. Era filho da rotina cansativa do acomodo, nada estava bom, tudo estava em crise e ele nunca soube viver em paz com os sons lá fora. Tinha vontade de sair e viver, mais um medo maior de se machucar enquanto andava pelo meio da rua junto d’um monte de gente. Disposto a tentar, levou toda sua coragem pra fora pra ver o povo passar, sentado na calçada do prédio onde morava. Quem não esperava se surpreendeu quando o viu passar com toda sua coragem pros lados de lá, com uma cara de quem vai tentar ganhar um pouco de emoção e umas histórias pra contar. Se eu fosse você eu podia até apostar que daqui a uns 8 anos ele vai voltar, dizendo que a melhor coisa que fez foi desce do quarto naquele apartamento no 2° andar pra ver o povo passar, mais ele também vai dizer que talvez também tivesse sido melhor se ele estivesse trancado em casa. Lá ele não se machucaria como se machucou, não sofreria por amor nem guardaria rancor. Mais ele não trocaria tudo por um talvez, aquilo foi a melhor coisa que fez. Viveu.

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