Eu estive pensando sobre o porquê de toda essa solidão auto imposta, há um tempo parei de me sentir bem no meio das pessoas, me tranquei a sete chaves e me acho melhor assim. Eu não vejo motivos pra me juntar a um bando de gente que não suporta sinceridade, que tem medo de dizer o que pensa, detesta ouvir verdades. A minha falta de sensibilidade pra lidar com a vida alheia não é novidade pra ninguém, minha falta de tato pra fazer alguém se sentir bem, não tenho muito a oferecer além de uns quantos cigarros e um gole do meu vinho favorito, também posso escutar se você precisar, só não me peça pra me destrancar, pra deixar essa gente toda entrar, por que isso eu não posso fazer. Tenho piorado com os anos, talvez meus vícios estejam me deixando mais sádica e fantasiosa, ou quem sabe um pouco mais irônica e fria. Fria... talvez nem tanto, o sangue que eu carrego nas veias é quente e meu temperamento faz jus a isso,sou forte, mais forte do que penso, consigo sorrir depois das quedas, me dou ao trabalho de me auto confortar, não me deixo cair, me levanto, tenho ideias imbecis e as coloco de lado, tenho a coragem de não executa-las. Escrevo sobre males e sinto todos eles, maldita mania de tomar as dores pra mim e tentar ajudar quem as sente, se eu fosse um pouco mais egoísta eu estaria bem. Meu lado meio egoísta insiste em dizer pra comprar mais uma tranca pra porta do coração e da mente, manter essa gente distante, mais eu sou meio surda pra essas coisas. Sinceramente, no fundo eu só to querendo me preservar, já me bastam às noites em claro, as minhas próprias dores, mais eu quero mais, quero as dores alheias, quero os medos dos outros, pra deixar todo mundo leve, acho que não percebi que isso me deixa pesada, me deixa sufocada e essas coisas todas, mais o meu lado “bom samaritano” não quer deixar ninguém na mão, quer ajudar, quer escutar, saber como andam as coisas, e o pior de tudo é que quando eu me vejo na situação ruim, ninguém quer me ouvir, ninguém quer se importar e eu tenho que lidar com isso sozinha, até por que cá pra nós eu prefiro guardar pra mim, sou idiota demais pra dividir com alguém (na verdade o problema é confiar). Mas a gente aprende, uma hora ou outra aprende que mais vale a gente inteiro do que a fama de boa gente.
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