Então ela o viu, de longe mesmo, sem nenhuma luz de holofotes direcionada a ele. Mas ela o viu, eu sei que viu, e foi de um modo não tão singelo que quase a assustou. E então em um piscar de olhos andou até ele, como se fosse puxada por uma corda invisível, dessas que te prendem e te puxam até onde você não quer estar, ou quer e não sabe.
Quem sabe quantos sinos tocaram enquanto aquelas duas almas se aproximavam, mas eu sei que os ouvi tocar. E em momento algum dessa minha vida de observação eu tinha visto algo como isso antes. Duas almas se encontrando no meio de tanta gente, dois olhares se focando e então sorriso de reconhecimento, como se de repente uma alma conhecesse a outra por um longo tempo. Como velhos conhecidos que se reencontram.
Mas me dizem que é bem assim mesmo, nossas almas foram separadas e forçadas a procurar pela outra parte de si mesmas até encontra-las e se não encontrar... bem, faça qualquer outra ser sua nova metade, se molde a ela e fique bem. Mas não desista de achar a sua assim tão fácil. Porém voltando ao que eu dizia sobre essas duas pessoas e suas almas se encontrando.
Eu assisti a garota mover-se para perto do rapaz com uma rapidez medida, como quem quer muito, mas teme chegar perto demais e rápido demais. Enquanto isso o rapaz a olhava curioso, o interesse nos olhos, deixam quer quiser saber que ele pretendia descobrir o que fazia a pequena sorrir. Sua pequena. Posso jurar que vi seus lábios formarem tal frase. E então eu soube que seria amor como em todas as outras poucas vezes que vi isso acontecer. Foi amor, e eu soube que seria eterno, que seria doce, que ia ser bom para ambos os lados.
Nunca mais teriam de buscar sentido em nada. O sentido estaria quando olhasse pro lado e encontrasse os olhos da pessoa amada, o sorriso singelo, quando escutasse o "Eu te amo" sussurrado. E quando o rapaz visse a felicidade de mala e tudo mais na sua porta, personificada de garota baixinha com longos cachos e sorriso calmo, ia notar que seria pra sempre. Sem um ponto final.
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