Queria poder olhar nos olhos de alguém e
saber que o brilho nos tais olhos seria por minha culpa, queria poder sorrir
enquanto olhava pro céu e imaginava o que ele poderia estar pensando. Sei lá,
queria poder pensar em um só nome o tempo todo, queria poder ter vários sorrisos
que diriam sobre cada momento em que eu iria estar com ele.
O sorriso calmo que eu daria quando ele
chegasse na porta da sala, o sorriso irritante que surgiria sempre que eu
provocasse ele, ou irritasse ele extremamente. Ah, teria também as gargalhadas
quando ele contasse uma piada imbecil ou quando ele surtasse por ciúmes. E ia
ter também o sorriso quieto, meio meigo e cheio de carinho. Sorriso esse que eu
não dou pra ninguém, mas que pra você... ah, eu sei que vou mostrar sempre que
estiver aconchegada do teu lado na sala de estar enquanto assistimos um filme
qualquer e tomamos uns goles de café quente.
Ah se essa vida me der o presente de ter
alguém pra sentar comigo no degrau de qualquer escada enquanto a chuva cai
apagando tudo e acendendo só o sorriso desse tal amor. E quando cair a noite,
bom, eu vou sorrir e dormir depois de horas falando sozinha sobre como ele é
doce e como ele me ama, sobre o modo como anda e como meche no cabelo, e aperta
bem os olhos quando está cansado. Vou
cantar pro tempo parar, e se ele parar e demorar a passar quando você estiver
longe, eu vou fazer ele passar. De um jeito ou de outro.
E se ele demorar a te trazer pra mim...
bom, eu vou esperar. Ansiosa pra caralho, com um sorriso de canto. E quando
você surgir por aqui, pode ser em qualquer lugar, eu vou saber que é você. Que
é pra ser. Que vai ser. Que nem precisa ter porquê.
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