Eu andei, enquanto caia a tempestade pelas ruas da cidade eu andei meio sem rumo, eu não me lembrava realmente de onde estava e nem de como eu tinha aquela garrafa de vodka nas mãos, mais eu a tinha e estava pela metade, mais chuva e mais passos eu infelizmente reconheço o caminho e no momento seguinte me coloco no caminho contrario, em que momento eu achei o caminho para encontrar você? Abro a garrafa mais um gole ou dois para espantar o frio, mãos gélidas e ossos tremendo enquanto minhas pernas me obedecem e voltam pelo caminho que vim. Eu ando, e andando é que percebo que deveria ir até você enquanto é cedo e eu tenho tempo, enquanto meus olhos não estão tão mortos e minha mente ainda está acesa em um turbilhão de emoções contraditórias. Alguns cigarros no bolso de trás da calça, molhados agora mais que serão de bom uso no futuro talvez, eu infelizmente ainda não perdi esse habito de fumar quando estou nervosa, eu sei que você detesta isso mais eu simplesmente não consigo parar, nesse momento me dou conta de que nem ao menos sei se está em casa e se vai me atender depois de todo esse tempo em que estive distante e a vontade de desistir de tudo me consome, eu poderia ter desistido... encontrei alguns bares pelo caminho onde eu poderia ter me abrigado e tomado algumas doses de whisky ou conhaque e me aquecido um pouco. Enquanto corro as mãos pelos meus cabelos longos e desgrenhados percebo que estou uma bagunça, tenho olheiras imensas e meu cabelo não deve estar em seus melhores dias, meus olhos ardem por conta do vento e posso afirmar que meu estado transpira embriagues e insônia. Insônia por sua culpa, horas e horas ao lado de um telefone que nunca tocou, você também pode contar as noites que virei na frente da sua casa, deitada na grama onde quem passasse confundir-me-ia com uma qualquer, uma sem teto. Sem teto, é isso que sou ao longe, andando pela rua com as roupas encharcadas e as mãos tremulas, talvez eu não devesse encontrá-lo hoje, não enquanto estou tão sóbria e bagunçada, eu sei o quanto você presa pelo bom aspecto visual que as pessoas devem ter. Olhos lacrimejantes e mais alguns goles de vodka enquanto decido meu futuro e desço a rua lentamente sendo apedrejada pela chuva insistente que me persegue há dias. Acabo por desistir, me encontro agora em um bar qualquer da cidade, com um copo cheio em uma mão e um cigarro aceso na outra, algumas tragadas e um acesso rápido de tosse, talvez eu devesse parar pelo bem dos meus pulmões mais se pensasse pelo lado negro da coisa, lado esse que eu visito constantemente nesses últimos tempos, eu continuaria tragando a fumaça para meus pulmões e em seguida um outro gole de algo forte e puro, dizem que quanto maiores os vícios mais rápido o fim não dizem? Malditos os que dizem, vícios maiores que os meus não vejo, uma completa viciada em dor e outras drogas,uma iludida perdida pelo mundo a fora, eu andei e as milhões de milhas que andei me trazem sempre de volta ao zero. Enquanto me aqueço em outra dose de whisky, meu corpo se acalma e minha mente relaxa, talvez essa noite eu durma em paz para que amanhã eu recomece tudo outra vez, seguindo caminho até sua porta com uma garrafa de vodka na mão e a chuva insistente de março para algumas horas depois desistir e me embriagar até o esquecimento. Se eu batesse na sua porta um dia, enfim, talvez você a abrisse pra mim.
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