Como dois estranhos, desconhecidos, apáticos, distanciados. Era essa a imagem que passávamos aos espectadores da nossa novela, que chamávamos docemente de vida. Em alguma parte do enredo, nos perdemos e simplesmente deixamos de procurar um ao outro. Em algum lugar da alma já tão machucada, o sentimento de "chega" se fez presente e então, com o resto de dignidade que nos restava, sumimos um do outro, largamos nossas magoas e nossas dores em algum lugar dos roteiros e sumimos, como já fizemos tantas vezes antes.
Sinceramente, talvez no fundo, isso machuque tanto quanto a morte do meu antigo personagem nos capítulos iniciais de "Chamas de uma paixão" ou tanto quanto a morte daquele meu personagem preferido naquele seriado que assistíamos toda noite de domingo, depois das dez. Ainda não decidi o quanto isso machuca ou se realmente machuca. No final, já cometemos este mesmo ato um trilhão de vezes, do mesmo modo que repetimos aquela cena do beijo de Liam e Marcela um bilhão de vezes, até que exaustos, fizemos o nosso melhor e não desgrudamos os lábios após o "Corta" do diretor.
E mesmo com todas essas dúvidas, encerramos o espetáculo, distantes e evasivos, do mesmo modo que começamos essa novela conturbada que os vizinhos assistiam com prazer. Com todas as minhas falas ensaiadas, te deixo ir, apático e estranho, sabendo que talvez não volte, mas pedindo aos céus pra que retorne. Um dia.
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